
“O livro dos nomes”, de Maria Esther Maciel, foi lançado na sexta-feira (16/5), em Patos de Minas.
O narrador apresenta em ordem alfabética os vinte e seis personagens que compõem a obra. A cada personagem são dedicados quatro breves capítulos.
Essa estrutura fixa é seguida ao longo da história. À medida que o leitor progride, vai tendo acesso ao mundo dos personagens, montando ele mesmo, leitor, a trama que vai construindo o caleidoscópio narrativo. O rigor da narrativa está em oposição ao mundo subjetivo dos personagens. Cada um deles tem seu nome explicado etimologicamente. Contudo, essa explicação, também integrante da estrutura do romance, já nos apresenta um jogo lúdico e poético que permeia toda a narrativa. Lúdico porque essa etimologia pode não ser correta. Nessa brincadeira de inventar – ou não – a etimologia para os nomes, Maria Esther Maciel, parodiando a lingugem enciclopédica, faz com que se lembre de Borges. Aliado a esse jogo lúdico, há o jogo poético, presente também nas etimologias dos nomes dos personagens. Assim, Catarina “faz do pudor a sua mais secreta malícia”; das que se chamam Irene, diz-se: “Há também registros de pessoas com esse nome que possuem uma tristeza serena”.
Personagem após personagem, a teia vai sendo tecida. O fio da palavra vai ligando a vida dos personagens. Nesse mosaico, sabe-se, por exemplo, ao se ler o “verbete” dedicado a Danilo que ele recebeu diagnóstico peremptório sobre uma doença, mas somente no “verbete” dedicado a Lídia, sua esposa, fica-se sabendo das circunstâncias que marcaram os últimos instantes de Danilo. De modo fatiado, o leitor vai tomando conhecimento das motivações e do universo de cada personagem. O mundo de cada um vai sendo destrinchado, desvelado. Lendo um pouco aqui e um pouco ali, o leitor vai compondo o todo, unindo os poéticos fragmentos.
Para os que nasceram nas regiões do Alto Paranaíba e do Triângulo Mineiro, as referências espaciais são extremamente familiares: Patos de Minas, Lagoa Formosa, Serra do Salitre, Catiara e Araguari estão entre as cidades que aparecem no romance. Para os de Patos de Minas (onde nasceu a escritora), surge de imediato a familiaridade com os locais ou os pontos da cidade mencionados ao longo do livro. Se o espaço é interiorano, nem por isso a obra é bairrista.
Também poeta e ensaísta, Maria Esther Maciel nos brinda com “O livro dos nomes”, firmando-se como nome de importância na atual ficção nacional.