sexta-feira, 6 de junho de 2008

Marrecos no Paranaíba?

Ontem foi o dia mundial do meio ambiente. Em geral, quando se toca nesse assunto na mídia, me vem uma terrível sensação de impotência. É sempre o desmatamento na Amazônia, o aquecimento global, o protocolo de Kyoto, o crescimento econômico chinês e seu impacto ambiental etc.

Não foi o que senti quando vi a reportagem da rede integração sobre o rio Paranaíba. Era algo mais palpável, mais presente. Vi rostos conhecidos - estava lá o Cristiano, que foi professor de biologia aqui no Unipam - e paisagens familiares. É muito fácil lavar as mãos quando o problema está distante, mas quando ele se mostra tão próximo, os brios vêm à tona. Problemas que já conhecíamos, mas não havíamos visto tão expostos: despejo de esgoto sem tratamento, assoreamento, invasão de lavouras, garimpos. Ouvi da boca de um amigo meu, engenheiro agrícola e professor da Ulbra, que esteve numa expedição parecida com essa da reportagem:

-A maior agressão ao rio Paranaíba ocorre na região de Patos de Minas.

É bom lembrar que estamos em ano de eleição. Quem sabe algum candidato não nos brinda com um plano de recuperação do rio?

Abaixo um resumo da série exibida na tv integração, que foi ao ar na globominas - emissora da tv globo em Belo Horizonte.


Vale a pena ver também a entrevista do secretário do meio ambiente de Minas Gerais a respeito do tratamento que o esgoto sofrerá antes de ser lançado nos rios mineiros. Segundo ele, todo o esgoto mineiro - com exceção das cidades com até vinte mil habitantes - será tratado até 2015 (em 2015 o Aécio ainda vai ser governador? humm... deixa eu fazer as contas...). O primeiro entrevistado no vídeo não é o secretário. Ele é o segundo entrevistado, após a deselegante interrupção da Isabela Scalabrini.

Postei também no Palex


Um comentário:

Lívio disse...

Muito bom, Paulo Alex, tanto os seus comentários quanto as matérias postadas.

Em seu comentário, gostei do trecho em que você menciona o fato de que ao falarem do que está na porta da gente, tudo se torna mais palpável.

É discurso comum dizer que as nações desenvolvidas tecnologicamente são as que mais prejudicam o ambiente (e são mesmo), mas isso não quer dizer que não estejamos, a nosso modo, destruindo também.

Permita-me ser pessoal: desde quando comecei a fotografar a fauna e a flora da região, tenho visto a natureza daqui sendo agredida. Lugares a que antes eu ia para fotografar não vou mais, pois que se tornaram inóspitos, devido à interferência humana.